terça-feira, novembro 02, 2010

Insônias

O quarto é o limbo
e o corpo imóvel retém
os medos que resistem
e uma tristeza inteiriça
da idade do mundo.
O sono é uma cisterna
medida em asas e ecos.

À tona do espelho escuro
a ave indormida
e nada do que se faça
afasta
a dor da vida.




Floating poet. Sem menção de autor.

O sono pesca histórias
pela noite singrada de silêncios.

Toda memória
manto sem costura
vive de imagens e asas
bordadas de migalhas.

Não sabemos ainda
da véspera
do vento
das aves
e enquanto assistimos ao filme da tv
a solidão dos espelhos
desfia os sonhos.




8 comentários:

Amélia disse...

Gosto muito, amiga.

Mirze Souza disse...

DADE!

Que maravilhosa insônia que gerou este poema!

A descrição do sono é perfeita!

Magnífico!

Beijos

Mirze

contagotas disse...

... e tantas insónias eu tenho!

Pena que meu sono não seja medido em asas e ecos de poemas feitos.

Bjos
MariaIvone

Marcantonio disse...

Creio que não haverá quem não veja ao menos parte da própria insônia traduzida nesse poema. Tem algo de olhos saturados e um ritmo lúcido, mas cansado. Talvez sejam as minhas próprias insônias que nele encontram ecos...

Beijo.

Assis Freitas disse...

eu tava lendo um poema de Bandeira que falava sobre quarto, e aí veio essa tua poesia de tanto florir, pois quando o sono se afasta há o espaço de nascimentos,


beijo

Lara Amaral disse...

Na solidão de nossos quartos, com nossos fantasmas, às vezes esquecemos do mundo acontecendo lá fora.

Excelente, Dade!

Beijo.

Anônimo disse...

A insônia é implacável conosco, Dade.Já sofrí muito com ela.Hoje não, foi-se embora.

Como quem não quer nada,ele vai expondo emoções e mexendo com a sensibilidade.

Beijão, querida

Nilson disse...

"O sono é uma cisterna
medida em asas e ecos." Adorei isso. Quase não durmo de sexta pra sábado. Insondável cisterna!