segunda-feira, março 14, 2011

E se amanhã Orfeu

 Imagem da Internet sem menção de autor.

E se amanhã
os homens redescobrirem
a esperança sem fantasia?
Falo de uma esperança
verdadeira e forte
que possa nos mostrar
o possível
independente dos sonhos?

E se em algum momento
a lira de Orfeu limpar de nós o medo
como aos animais agrestes
de seu tempo
e formos capazes de parar tudo
para ouvi-lo tocar
como fizeram os pássaros
naqueles dias?

12 comentários:

Sônia Brandão disse...

Hoje, que é Dia da Poesia, é bom lembrar de Orfeu, que tudo se põe a ouví-lo.

bj

Assis Freitas disse...

canto profundo para acordes orfeonicos,


beijo

Adriana disse...

Poderíamos viver, crescer, ser felizes.
Suas palavras me encantam.

Anônimo disse...

Uma proposta bem tentadora, neste mundo de catástrofes e medo.
Ao menos é bom pensar em Orfeu.
Beijo do Ivan

Marcantonio disse...

Um belo poema de esperança extraída de um mito passado.
Você vai dizer: lá vem o Marco-pessimista! Mas havia um ser indiferente ao canto de Orfeu, ele mesmo. Sabia que seu canto era um artifício, um artefato que não poderia fazer com que ele próprio aceitasse os desígnios do destino e da morte. Era apenas um fazer, poiesis, que permitia que as criaturas saltassem momentaneamente para fora da dor, mas que, sem essa mesma dor, se tornaria um canto inaudível e incontrastável. Cria luz no reino das sombras apenas como um clarão que se desfaz ao olharmos para trás e, principalmente, para o futuro silencioso, onde Eurídice, Beatriz, a Vida, ou qualquer grande musa do desejo de cantar, estarão ausentes. E o canto flutuará como memória livre após o dilaceramento.

Mas, sim, essa memória do canto ainda trará o clarão que torna a dor suportável, e distrai o medo entranhado na audiência.

Beijo, Dade.

Suzana Martins disse...

E não haveria versos se não fosse Orfeu!

Beijos

Luiza Maciel Nogueira disse...

ah e então seria uma vida de poesia imensa :)

beijos

Anônimo disse...

Dade, sabia que quase fui batizado como Orfeu?
Bonito poema.
Bjs césar

Luma Rosa disse...

Não sei se existe essa esperança sem medo, sem ansiedade!
Fiz uma postagem ontem em homenagem a Adélia Prado e sei que gosta. Vim lhe trazer um áudio para você. Salve no computador (download) para ouvir. Beijus,

Loba disse...

E se realmente acreditarmos nesta esperança forte, poderemos tb sonhar e contribuir para a realização deste sonho.
Bom te encontrar na poesia, querida. É um lado seu que gosto demais.
Beijocas

MariaIvone disse...

Nestes momentos em que as piores fantasias viram realidade, paremos para ouvir Orfeu. E ai, talvez a esperança nos mostre o possível independente dos sonhos.

Beijo, Dade

Jefferson Bessa disse...

A presença de Orfeu sempre faz belos poemas, Dade! Um beijo.
Jefferson.