sexta-feira, setembro 09, 2011

O dia


Versões de antigas manias
variam conforme o tempo
nas mudanças de estação.
Ilusões novas vêm na primavera
em pencas de perfume imaginário
festa de aniversários coloridos.
Termos escuros escolhem o tempo frio
seus fantasmas
depois de o outono
ter esgarçado os tecidos em mil ventos
restos de lua entre as nuvens picotadas
e uma ilusão mais densa faz ouvir
o eco sufocado de tambores
que vêm de algum lugar
mas não sei qual.
Uma excursão a terras escaldantes
emana desses rios quase secos
dissolve as cores
e tudo que aprendi das flores
o coração desfeito pelas praias.
Sereias
como se o mar antigo
ainda ofegante
voltasse despejando sobre a areia
a sensação escaldante
de que o perfil mais desejado não vem nunca
retido pela distância de outros mares.
Verão é a estação do que se nega
a que acelera a perda
e desengana todas as esperas.


Entre estações
não resta qualquer sinal da glória antiga.
Uma versão de branco
veste calada seu caminho neutro
desdobrado
de rumo em rumo
à espera do que pode ser o dia
de usar perfume de rosa
e lancinante
despenhar pelo abismo de outra noite.


8 comentários:

Assis Freitas disse...

escalar o cume de um dia, dá-me coragem senhor


beijo

MIRZE disse...

Belíssimo Dade!

Quantas imagens vão se formando à medida que lemos. Dei sorte de gostar de todas as estações.E em todas uso perfume de rosas.

Sensacional!

Beijos

Mirze

César disse...

Um dia sempre chega, o dia D na guerra, o dia sem alfabeto em que só importa viver muito o que o momento oferece.

Beijos.

Sandrio cândido. disse...

Bom, lirismo belo.

Zélia Guardiano disse...

Lindo, lindo, lindo, Dade, minha amiga, grande poeta!!!
Você faz alquimia com palavras, neste poema encantador...
Demais, demais, e mais um pouco!
Beijos da
Zélia

Enylton disse...

Cores de primavera, escuridão de inverno e a expectativa que nos acompanha sempre por um dia,
Um beijo, Dade.

mfc disse...

Um poema que se lê sem parar, pleno de imagens lindíssimas!

Cris de Souza disse...

meu dia se elevou ao ler-te!