sexta-feira, setembro 16, 2011

Paisagem



Busco alguma vida
um reinício
mesmo desgastado
para repor as aves que fugiram
durante as décadas do engano.
 As chuvas de hoje
fecundaram as margens da barragem.
As águas podem remover cidades
e nada é para sempre
nem mesmo essa paisagem
nem a verdade que um dia
foi só nossa.

10 comentários:

Suzana Martins disse...

"As chuvas de hoje
fecundaram as margens da barragem."

esse verso definiu a minha paisagem!

Beijos querida

César disse...

Quando a vida dá seus saltos, se renova.
Beijos.

Assis Freitas disse...

fatídica estrada essa, esse revolver dúbio,



abraço

Sandrio cândido. disse...

As imagens diz um tom de úmido em teu poema, como algo que espera ser fecundado.
abraços

Nilson disse...

Estamos sempre nesse entreato. Mas é aí que está a beleza!!

Luana disse...

Não há bem que sempre dure, já diziam nossos avós. Mas também não há mal que nunca se acabe. De qualquer jeito, os tempos de exílio são difíceis de atravessar.
Beijos, Dade.

Marcantonio disse...

Barragem é algo que nos define bem, contenções momentâneas de sentido que não resistem à voragem do tempo. Mas, enfim, as paisagens mudam de acordo com o ponto de vista.

Beijo, Dade.

MIRZE disse...

Dade!

Profundo e belo poema onde está claro que nenhuma paisagem é nossa. Nem mesmo em fotografias. Elas mudam e se voltarmos perderemos a ilusão do que sentimos ali.

ARRASOU!

Beijos

Mirze

Daniela Delias disse...

Nada, nada é para sempre...
Belo, belo poema...
Um beijão!!!

Ivan disse...

Lirismo de primeira, Dade.
Beijos.