quinta-feira, maio 06, 2010

Enquanto o poema dorme


Contorno o poema que jaz sem as raízes
palavra no papel.
Espero que desperte
como um menino quando
ainda cedo
a mãe tem pena de cortar seu sono.

Espero que tome a cor da vida
e acenda as palavras.
Resisto ao que não faz sombra
e desconfio do poema seco
do que não sofre
ignora a carícia
não ri nem contamina
e nunca chora.
Contorno toda suplência
da palavra que não sangra.

Perdoa
entendo tua agonia
que me contempla em paciência
enquanto fico aqui a lapidar
essa grandeza vazia dos poemas
que não viveram
ainda.

7 comentários:

José Carlos Brandão disse...

"contorno toda suplência
da palavra que não sangra"

Todo poema nasce em estado agônico. Gostei, Dade.

Um grande abraço.

Carol Timm disse...

Dade,

Que lindo!!

Beijos,
Carol

: )

Lalo Arias disse...

Já li uma dúzia e meia de vezes, Adelaide. Que maravilha!
Grande beijo.

Lara Amaral disse...

Também desconfio de certos poemas. Já dos seus, nem há como, batem tão fundo na gente que só há o que sentir.

Beijos.

Nydia Bonetti disse...

este sangrou... e vive. grande, dade. beijo.

Nilson disse...

Tantos poemas que não viveram ainda. Alguns dos mais belos vão certamente nascer aqui!

Assis Freitas disse...

a gestação dos versos e seus partos, os versos sempre partem. abraço