segunda-feira, agosto 15, 2011

Sinfonia



Calor subindo do asfalto
voz de vento
no fim do dia.
É lento o peso do céu
por trás de nuvens que correm
e pressentem
como se o cheiro da chuva fosse um lobo
faminto a se atirar entre as ovelhas.
Os toldos se contorcem.
O som escuro
é tormenta
catarse do verão.
O céu demora
em percussões
oboés afinados entre os galhos
festa de gatos no cio
chuva de grãos
em multidões de ruídos nos telhados.
As gotas
logo torrentes
cordas de água torcidas
lavam a terra
da música mais bruta.

9 comentários:

Luiza Maciel Nogueira disse...

belíssimo, belíssimo, belíssimo...sinto que as palavras não saíram no momento que deveriam. Teu poemaço me calou.

beijos

MIRZE disse...

LINDA SINFOMIA, DADE!

O soim escuro escurece as nuvens, formam o vento. Gatos no cio, oboés em festa.

Perfeita sinfonia, que caso não se importe levarei para análise de um músico.

Beijos

Mirz3

Lara Amaral disse...

Os versos finais até tilintam, muito lindo!

Beijo.

Suzana Martins disse...

Os versos cantam em sintonia completa!!

Beijos

Assis Freitas disse...

rufam dos tambores, ecoam tímpanos e equivalentes,


beijo

Ivan disse...

O mundo se contorce nas tempestades, a música é sempre a mais bruta. Belas imagens, Dade.
Beijos.

Ivan disse...
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Sandrio cândido. disse...

muito belo o poema

R.D.S. disse...

Belo.....