quarta-feira, agosto 10, 2011

Pele





(...)
daria todas as metáforas
em troca de uma palavra
arrancada do meu peito como uma costela
por uma palavra
contida dentro dos limites
da minha pele
(...)
Zbigniew Herbert





Às vezes durante dias não dizia nada
embaraçada em pensamentos velozes
emaranhados como galhos velhos de cajueiro
ou voando concêntricos em torno
de alguma coisa que não conseguia descobrir
como dizer com que palavras.
Às vezes falava coisas sem rumo definido
coisas do dia-a-dia – o carteiro as compras a cozinha
como se contornasse o território cego
da coisa que não dizia
contida dentro da pele que não sua
e mal respira.

11 comentários:

Daniela Delias disse...

Dade, adoro todos os teus escritos...agora...esse tem uma densidade que me pegou de jeito. É belíssimo, simplesmente lindo.
Bjos!

Suzana Martins disse...

Às vezes dizia coisas inteiras que eram entedidas por ti...

Que delícia a leveza de suas palavras!!

Beijos

N. Barcelli disse...

[...] pensamentos velozes emaranhados como galhos velhos de cajueiro ou voando concêntricos em torno de alguma coisa que não conseguia descobrir [...]
Adorei o teu poema. Foste brilhante com as tuas palavras.
Beijo, querida amiga Dade.

Assis Freitas disse...

a pele que não sua, sua pele


beijo

Anônimo disse...

Belíssimo, Dade.
Beijo do JL

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Ivan disse...

Esse é um daqueles que a gente guarda para reler de vez em quando.
Bjs.

Sandrio cândido. disse...

gostei
abraços

Cris de Souza disse...

Arrepiou! Desde a citação até o ponto final.

Beijo, Dade.

Zélia Guardiano disse...

Magnífico, minha querida Dade!
Lindo demais!
Tuas palavras fluem de uma forma extraordinária!
São plumas, ao mesmo tempo que densas... Um feliz enigma...
Beijos, querida!

MIRZE disse...

Que lindo, Dade!

Só mesmo essa delicadeza que você traz na alma para nos inebriar com essa pele,

Beijos

Mirze