quarta-feira, agosto 24, 2011

Metapalavrório


A todo gosto
servem as palavras.

Palavras fazem climas
cataclismos
espinhos de ironia
mas vadias
não obedecem a ninguém
e cada um as lê como bem quer.

Grandiloquentes, bregas, argentinas
francesas entendidas, sedutoras
entretecidas de wit na Inglaterra
mediterrâneas sem monotonia
polissemias do Leste em ideogramas.

Palavras são como a água
vão ao fundo
ao mais fundo do fundo
longe, longe
ao mais fecundo âmago do nada.

Juntas constroem pontes
monumentos
e são tijolo e cimento
de arquiteturas nunca repetidas
matéria e primas obras
de toda literatura e toda rima.

Sucede às vezes que palavras secas
se espalhem pelo chão
e quem as pise
ouça estalar vazios que elas dizem.
Aquelas que o vento leva
o mar recolhe
para escrever a música das conchas.

Nos vãos que os versos deixam entrever
metapalavras foscas, fugidias
a consolar de ilusões almas sozinhas
almas tristes ou tíbias
que em lugar de viver
lêem poemas.


8 comentários:

Assis Freitas disse...

para além da palavra, o verso floresce


beijo

Leonardo B. disse...

[esse caminho, onde no peito se escuta o rumor diurno da palavra, a sua sombra que nos guarda acontecendo]

um imenso abraço, Amiga Dade

Leonardo B.

MIRZE disse...

Que METAPALAVRÓRIO Mais sublime!

Sempre achei que palavras são as pontes, os elos que ligam os seres humanos. É preciso cuidado ao ysá-las para não ferir, nem desmerecer o outro.

Você foi mais fundo, nos "vãos de todos os versos"

Isso é uma obra de arte.

Beijos

Mirze

César disse...

Lindo esse poema, Dade.
Beijos.

Daniela Delias disse...

Dade...fiquei impressionada...as palavras aqui trazem um efeito tão forte, tão bonito...adorei!
Bj,
Dani

AnaC disse...

Tão bonito que tive que ler e reler.
Parabéns, Dade.
Beijo.

Ivan disse...

A palavra brilha aqui como raramente se consegue.
Beijos do Ivan.

Nilson disse...

Dade, não dá pra ficar sem voltar por aqui. Palavras da salvação!