domingo, março 21, 2010

Retrato



Olhou o retrato atenta
até que percebeu
o movimento breve.
Foi um momento e logo
voltou a ser retrato como os outros
ele
que nunca seria como os outros
e por isso se movia no retrato.

6 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Há retratos com vida.
E, por vezes, somos nós que lhe damos essa vida.
Um pequeno poema, mas belo. Gostei.
Bom Domingo. Um beijo.

Lalo Arias disse...

Dade,
Além do poema, a perspectiva do poema. Uma voz, um ser que se move: Tom Waits. Impossível não gostar disso tudo.
Grande beijo, boa semana.
Dê uma boa olhada nesse Rio por mim.

Nilson disse...

Adoro Tom Waits. Adorei o poema!

Nydia Bonetti disse...

Tenho esta sensação às vezes, Dade. Há retratos assim - não apenas se movem - cantam. Ouvi música aqui. beijos.

José Carlos Brandão disse...

Incrível! Não é que se move? Milagre da poesia, da música, da arte, enfim. Êxtases.
Beijo.

J.F. de Souza disse...

só nós somos capazes
de perceber
a alma
de um retrato

só nós
que temos a arte
em nós