segunda-feira, março 12, 2012

Letargia



A rua está deserta
e o mundo se distancia como um barco
casas fechadas
parecem fluidas
como se as fachadas
se desgarrassem
dos alicerces.

O céu é sem jardins
não vai ter fim esta noite
os muros adormeceram
emudecem as calçadas
e tudo que se sabia da rotina
era mentira.

11 comentários:

MIRZE disse...

Triste e lindo!

É o mundo que se distancia, para uma noite sem fim.

Faz-me imaginar um grande deserto na alma.

Beijos,

Mirze

Gislãne Gonçalves disse...

Se era mentira, não valia à pena

beijos
:)

Sandrio cândido. disse...

esta imagem é fascinante
e o mundo se distancia como barco

mfc disse...

A nova rotina, a quebra da anterior, é igualmente enganadora!

Daniela Delias disse...

Fachadas que se desgarram dos alicerces...que versos lindos!

Bjos, Dade!

Bípede Falante disse...

Um céu sem jardins (que bela imagem criaste) é um céu eternamente sem estrelas ou nuvens.
Um céu tão triste que nem céu é.
beijoss

Assis Freitas disse...

a rotina transmuda seus enigmas,


beijo

Lara Amaral disse...

A rotina se perde na face da poesia, algo de todo dia cria vida, mesmo que mórbida, sofrida. Não há rotina depois que se reencarna na sua poesia.

Grande, Dade!

Aloísio disse...

Mais um poema que me encantou.
Um abraço de admiração.

Elisa Cunha disse...

Filosofia Dadiana...

Esse dia após dia às vezes cansa.

bjs

Nilson Barcelli disse...

Não há letargia que pegue nas tuas palavras. Elas são vivas, soltas.
Magnífico poema. Gostei imenso.
Beijos, querida amiga.