segunda-feira, março 26, 2012

Poema da freira convertida


Eu docemente deponho meus cilícios
Que já nem deles precisar conheço.
Prossigo em meu caminho e mansa esqueço
Dias de penitência e sacrifício.

Somente agora sou o que é verdade
E de sossego somente agora vivo.
Meu coração não trago mais cativo
Das ilusões do bem e da maldade.

Entendo mais de paz e de silêncio
Do que de vãs palavras de devotos.
Entendo mais do corpo e de seus motos
Que dos louvores e preces que ignotos
Os piedosos lançam como incenso
Ao céu vazio e impiamente imenso.

13 comentários:

Amélia disse...

Gostei, viu? Nºão pode enviar para a lista? Beijos

Mirze Souza disse...

Excepcional! LINDO!

Há algum tempo escrevi uma poesia como uma noviça. Seria uma outra opção de vida, mas fui tão criticada, que desisti. Mas você, Dade escreve bem demais e sutilmente depôs silícios e silêncios de forma belíssima. Fui interna em colégio de freiras e realmente não gosto do modo de ser delas.

Parabéns, poeta.

Beijos

Mirze

Assis Freitas disse...

de pureza e silencio, a prece e o hábito


beijo

Iara Maria Carvalho disse...

entendo mais de silêncio que de grito. seu poema convertido.
muito belo
beijos

mfc disse...

Gostei desta conversão...
Um poema de uma ironia fina e linda!
Beijos.

Ivan disse...

Sutileza e verdade, ebfum, na vida da freira. Antes tarde!
Beijos do Ivan

Luiza Maciel Nogueira disse...

adorei essa freira :) beijos!

Sandrio cândido. disse...

da leveza das águas que batem em nós

Aloísio disse...

Clássico e perfeito, Dade. Para meu modo de ver, muito verdadeiro. Parabéns.

Nilson Barcelli disse...

Será que davas para freira...?
Talvez não, mas dás para poeta, pois este teu poema é magnífico. Gostei muito, querida amiga.
Beijos.

Camilla disse...

Abriram-se afinal os olhos e o coração da freira...

Beijo, querida amiga.

Daniela Delias disse...

M-A-R-A-V-I-L-H-A!!!!!!!!

teca disse...

Versos límpidos com voz de prece...

Beijo.