sábado, junho 05, 2010

Olhares




Olhares que se entregam
padecem o anonimato aceso
de uma febre
nome tecido a fogo e pensamento.

O chão baldio onde as palavras caem
inverte as estações semeadas pelo vento.

Olhares que suplicam
suportam a pele em pétalas se abrindo.


Hoje o poema-amigo é do baiano Assis Freitas:

Canção de entreter girassóis

Deste mundo que não me tenho
Porque não me pertencem as auroras
Queria te oferecer umas prendas doces

Um pequeno travesseiro de assombros
Para que repousasses
No desassossego da palavra

E quando acordasses tardezinha
No sol alto de uma manhã infinda
Te fizessem festa nos olhos cansados
Meu espanto de menino e esta rubra cantata

11 comentários:

José Carlos Brandão disse...

Sinto que os dois peomas se completam. O seu, de uma grande delicadeza - "a pele em pétalas se abrindo." O do Assis Freitas, "Canção de entreter girassóis" - que título tão bonito! - recolhe sua doçura mais diretamente da natureza, singeleza e encantamento de menino poeta.
Beijos.

Lou Vilela disse...

O olhar de pétala sobre uma "Canção de entreter girassóis".

Lindos!

Lara Amaral disse...

Dade, seu poema é belíssimo e ficou um encanto perto do escrito do Assis, que é o poeta com uma das almas mais belas e sensíveis que já vi.

Sou fã de vcs dois!

Beijos.

Assis Freitas disse...

é com grande felicidade que me vejo aí ao lado dos teus versos fazendo coro na poesia. obrigado Dade por este momento especial,

meu abraço

Assis Freitas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Analuka disse...

Querida amiga Adelaide, teus lindos e delicados poemas tocam minha alma! E este teu, "Olhares", parece dialogar com o poema de Cummings que publiquei recentemente no blog, com sua suavidade de pétalas, sua agridoçura e mistério! Beijos pintados e alados!!!

Anônimo disse...

Boas companhias por aqui...

Belos poemas, coração aberto aos amigos - tudo de bom!

Beijos
JN

Marba Furtado disse...

Dade, poesia pra todo lado. Andei procurando um livro pela web e acabei no http://nonleia.blogspot.com/. Imagino agora que cheguei lá para conhecer o seu trabalho, que encontrei como link do Não Leia. Umbigo do Sonho. Amei a aranha incansável, tecendo, estranhando os estranhos cursores, mas continuando seu trabalho. Pra mim foi inspirador esse encontro. Parabéns.

Carol Timm disse...

Dade,

Que linda combinação:

"O chão baldio onde as palavras caem e um travesseiro de assombros..."

Tão lindo quando as palavras, como os sentimentos se completam, não é?

Beijos e um domingo cheio de sol e pequenas ternuras!
Carol

Nydia Bonetti disse...

sinto perfume por aqui. doçura que só... os dois - no mesmo tom. beijoos

Anônimo disse...

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