segunda-feira, outubro 24, 2011

Cantigas do bom emprego




1

Aqui é um chão escorregadio
juncado de lápides
que é preciso caiar todos os dias
– falsos profetas vêm inspecionar
para produzir seus fogos de artifício
e retirar as máscaras
depois do expediente.

2

As paredes do escritório ostentam
pôsteres
de dizeres moralizantes.
Não sei se alguém ganha com isso.
Não sou paga para saber.
Fico indevida
insólita para mim mesma.
Há quem me ache simpática
um pouco aluada às vezes.
Os cartazes vêm de programas avançados
máquinas traiçoeiras
que tiram o emprego bom e quente dos meninos.

6 comentários:

Suzana Martins disse...

Há sempre aqueles que gostam ou não do nosso sorriso. Ah salas de escritório, tão frias, mas algumas vezes, quentes!!!

beijos

MIRZE disse...

QUE BELEZA, DADE!

Minha imaginação passou por vários lugares até cair na real, e lembrar que isto é VIDA!

Parabéns,

Beijos

Mirze

Sandrio cândido. disse...

Sentir uma ironia e ao mesmo tempo algo como um desabafo, um insulto neste poema... beijos

Luiza disse...

Dade que bonito. Os meninos trabalham até demais e depois ficam de mal com a vida, mas a vida como esse poema flui naturalmente. beijos

Assis Freitas disse...

de bom emprego das palavras,



beijo

Ivan disse...

Falsos profetas, moralismos ad hoc, injustiças que gritam sem serem ouvidas.
Muito bom, Dade.
Beijo.